O PLANTIO DE IGREJAS SAUDÁVEIS
Plantando igrejas que produzem frutos
Temos tido uma forte ênfase em plantio de igrejas. Uma vez que estamos em um período de transição, estabelecendo uma nova e dinâmica estrutura relacional na igreja que são os Pequenos Grupos, cabe analisarmos as melhores práticas de plantarmos igreja.
Queremos produzir frutos. Devemos manter em mente que os frutos começam na raiz. As raízes geram frutos. Metade da árvore não pode ser vista, está embaixo da terra e é o que dá vida e saúde a árvore e possibilita a produção de frutos.
O desejo e alegria de ver a árvore repleta de frutos são tão intensos que corremos o risco de nos concentrarmos apenas naquilo que é visível. Investindo tempo e recursos cuidando da copa da árvore sem nos preocuparmos com a raiz.
Investir nos valores de viver em “pequenas comunidades que se multiplicam” é cuidar da raiz. É alimentar e pastorear o rebanho. É edificar a Igreja de Deus continuamente para que cresça na graça e cumpra a missão de discipular novas pessoas através da vida.
Estamos há anos na caminhada. Investimos na transição de uma igreja baseada em programas para uma igreja baseada em pessoas. Experimentamos que há um caminho melhor do que o convencional que percorríamos. Vemos uma igreja unida apaixonadamente pela salvação dos amigos e familiares não-crentes. Vemos um ministério compartilhado onde os líderes assumiram responsabilidades pastorais pelos membros de seus PGs. Vemos uma igreja mais ativa. Vemos líderes focados no desenvolvimento de pessoas. Vemos outras tantas bênçãos advindas da prática simples dos métodos evangelísticos de Cristo que estamos implantando.
Os frutos podem ser mais abundantes do que estão sendo. É certo que as árvores são mais produtivas e Deus quer nos dar mais e melhores resultados. Para isso, precisamos tirar os olhos daquilo que nos distrai (foco nos resultados) e investirmos mais, ou melhor, investirmos tudo no “Cumprimento da Missão” que é fazer discípulos dentro do modelo relacional que Jesus nos deixou. É possível que a falta de paciência e a busca por resultados imediatos contribua para que haja descontinuidade no processo de transição que estamos buscando.
Porém, uma vez que temos uma “visão” clara e muita vontade de chegarmos lá, não podemos mudar a nossa “missão”. Não podemos sair do foco de plantar, implementar, e consolidar os Pequenos Grupos em nossa Igreja. Nossas ações devem convergir para o alcance da “visão” que possuímos.
Ações não convergentes com a tarefa de discipular pessoas através das comunidades, podem trazer a Igreja: 1) Distração da “Visão” e consequente retrocesso; 2) Resultados não sustentáveis que contribuirão com a apostasia; 3) Resultados oriundos de pouca ou nenhuma participação dos membros no “Cumprimento da Missão” e, 4) Esforço dobrado ao se ter a necessidade de iniciar um processo de transição através de protótipo nas igrejas plantadas. Como essas igrejas serão novas e possuirão uma quantidade pequena de líderes, possivelmente serão as últimas a passarem pelo processo de transição o que redundará em maiores dificuldades para isso, pois os novos membros estarão, a cada ano, mais habituados à velha roupagem.
Vamos plantar novas igrejas dentro da nova roupagem que estamos buscando. Não é prudente usar “vinho novo em odres velhos”. Menos prudente ainda é adquirirmos “vinho velho em odres velhos”. Plantar igrejas em comunidade nos dará resultados melhores e maiores. Teremos, a médio e longo prazo, igrejas multiplicadoras que se multiplicarão em igrejas multiplicadoras.
O sucesso é garantido, pois, uma igreja saudável que se reproduz pode ser plantada mesmo sem o apoio de uma igreja mãe. O plantador pode abrir um Pequeno Grupo em uma casa e começar a alcançar os não-cristãos.
Benefícios de se plantar Igrejas saudáveis que se multiplicam
- As igrejas em Pequenos Grupos estão em posição única para alcançar a próxima geração para Cristo porque elas não estão interessadas em prédios e propriedades ou programas, mas em pessoas.
- Igrejas em Pequenos Grupos não exige um grande orçamento, uma grande área de terreno, prédios modernos ou programas mirabolantes.
- Há mais segurança no investimento financeiro, pois o templo é construído depois que a igreja foi plantada e estabelecida.
- As igrejas em Pequenos Grupos estão focadas na colheita. Possuem um forte potencial de evangelismo e discipulado.
- Os novos membros alcançados assimilam mais rapidamente os valores e princípios do Reino de Deus, pela prática desses valores no Pequeno Grupo.
- Há forte ênfase no treinamento de líderes que sejam capazes de treinar outros líderes.
- Ao invés de tirar as pessoas de suas casas para levá-las ao templo para assistir ao culto de uma a três vezes por semana, o Pequeno Grupo usa as casas para alcançar os bairros e a cidades para o Reino de Deus.
- Uma igreja plantada em Pequenos Grupos é ativa e multiplicadora. Após se estabelecer e ganhar maturidade (3 a 5 anos) se tornará uma igreja “mãe” estabelecendo outra(s) igreja(s) saudáveis em comunidade.
- Igrejas em Pequenos Grupos contribuem para que o índice de apostasia diminua drasticamente.
- Possibilita o cumprimento da “Grande Comissão” ao oferecer o ambiente ideal para o desenvolvimento e prática do discipulado.
Passos para plantar igrejas saudáveis que se multiplicam
A) Em um bairro de um município já alcançado.
- O plantador abre um pequeno grupo em uma casa e começa a ganhar os não-cristãos.
- Cada membro do grupo é encorajado a conquistar seus amigos, parentes e vizinhos não cristãos para a comunhão do grupo, para Cristo e para o Reino de Deus.
- Os não-cristãos são ganhos para Cristo, treinados e enviados para liderarem seus próprios grupos.
- Quando ocorre a multiplicação, o plantador se torna o supervisor dos Pequenos Grupos filhos, cuidando e mentoreando os novos lideres.
- Quando houver três Pequenos Grupos (de 20 a 30 membros), começam os cultos de celebração semanal – que podem ser realizadas em um parque, casa, escola, prédio alugado ou prédio próprio. A congregação é organizada e o encontro semanal de edificação e comunhão no PG é mantido.
- Ao atingir o numero de 10 Pequenos Grupos (entre 70 a 100 membros), a congregação passa a ser uma igreja organizada.
- Nessa época, a igreja envia um novo plantador de igreja com o seu Pequeno Grupo para plantar igreja em outro bairro. Isso poderá ocorrer entre 3 a 5 anos dependendo da quantidade de não-cristãos que forem sendo salvos.
B) Em uma cidade não alcançada (Missão Global).
- O plantador muda com a sua família para a cidade a ser alcançada.
- Realiza com a sua família um encontro semanal de edificação e comunhão.
- Faz contato e intercede diariamente por aqueles com quem se relaciona.
- Serve a essas pessoas e conquista a confiança delas, desenvolvendo amizade.
- Atrai as pessoas para o encontro semanal do grupo.
- Discipula e instrui aqueles que vão sendo conquistados.
- Multiplica seu Pequeno Grupo enviando outro ou outros líderes para reproduzirem o que vivenciaram.
- Torna-se supervisor desses Pequenos Grupos.
- Ao alcançar o número de três Pequenos Grupos (de 20 a 30 membros), começam os cultos de celebração semanal – que podem ser realizadas em um parque, casa, escola, prédio alugado ou prédio próprio. A congregação é organizada e o encontro semanal de edificação e comunhão no PG é mantido.
- Se necessário – Semanas especiais de colheita são feitas em períodos estratégicos para conduzir pessoas à decisão
Perfil do plantador de igreja saudável que se multiplica
- Que tenha participado de um Pequeno grupo.
- Que tenha sido treinado/mentoreado como líder aprendiz dentro de um Pequeno Grupo ou protótipo.
- Que tenha liderado um Pequeno Grupo saudável.
- Que tenha multiplicado o grupo que liderou.
- Que tenha supervisionado novos líderes de Pequenos Grupos.
- Que tenha vida espiritual e compromisso com os valores do Reino de Deus.
- Que seja enviado para plantar uma nova igreja em Pequenos Grupos.
RESULTADOS MULTIPLICADORES
Os pequenos grupos são o lugar perfeito para desenvolver discípulos. Discípulos não são formados enquanto sentam nos bancos da igreja e assistem cultos e programas evangelísticos. Os Pequenos Grupos formam líderes voltados para a edificação, pastoreio, comunhão e discipulado de pessoas e prepara líderes que se multiplicam em outros líderes.
Cada igreja plantada em Pequeno Grupo levará de 03 a 05 anos para se consolidar e se tornar uma igreja mãe, multiplicando-se em outra igreja em Pequeno Grupo.
Ao planejarmos nossas ações de maneira concentrada e convergente, cada distrito estará em uma das fases de desenvolvimento e estabelecimento da visão. Como as igrejas em PG são igrejas multiplicadoras, teremos o resultado de um crescimento exponencial, resultado das primeiras igrejas plantadas em PG que estarão se multiplicando em outras igrejas multiplicadoras.
DESCRIÇÃO DE CADA FASE:
Preparo para o protótipo:
Fase em que o pastor imerge na visão de pequenos grupos preparando-se para realizar o protótipo em seu distrito.
Protótipo:
Fase em que o pastor e os líderes escolhidos vivenciam os valores de uma vida em comunidade preparando-se para liderarem os Pequenos Grupos.
Implantação:
Fase em que os líderes assumem a liderança dos seus grupos, atraem novos membros e se multiplicam.
Consolidação:
Fase em que pelo menos 80% dos membros estão em Pequenos Grupos e todo o planejamento da igreja gira em torno da edificação, pastoreio e discipulado de membros e novos membros.
Plantio de igreja em PG:
Fase em que a igreja consolidada em PG envia um ou mais PG(s) para iniciar uma nova congregação.
MANEIRAS DE PLANTAR UMA NOVA IGREJA EM PG
A nova igreja pode ser plantada através de um ou mais Pequenos Grupos que se desvinculam da igreja mãe e formam uma nova congregação. Esta nova igreja deve ser liderada por alguém que já supervisionou uma rede de Pequenos Grupos com sucesso. Cada PG dessa nova igreja deve possuir um líder e três líderes aprendizes preparados para assumir a liderança.
Plano opcional para plantio de igrejas convencionais
Os Distritos que estiverem iniciando o estabelecimento dos Pequenos Grupos e não forem plantar Igrejas em Pequenos Grupos, podem seguir o seguinte caminho:
- A igreja mãe fornece um grupo de líderes dispostos a migrar para a nova igreja a ser plantada em um bairro ainda não evangelizado.
- Este grupo se reúne por um primeiro período de contato (de 6 meses a 1 ano) fazendo trabalho de contato missionário ralacional com os vizinhos e amigos
- Após esse período de estabelecimento do grupo em uma casa, aluga-se um salão para as reuniões (cultos) – pode-se nesse período fazer semanas especiais de colheita ou de proclamação evangelística com esses interessados levantados durante o primeiro período de contato. O Campo pode optar em subsidiar o valor de aluguel neste primeiro ano.
- Caso o Campo opte em subsidiar as despesas financeiras no primeiro ano, o grupo deve ser estimulado a custear pelo menos 50% do valor do aluguel durante o segundo ano e custear todo o custo no terceiro ano de utilização do salão.
Observações:
- O plantio desta nova igreja é feito enquanto, paralelamente, o pastor dá os passos necessários para a implantação dos Pequenos Grupos através do Protótipo.
- Nesse modelo não estaremos plantando igrejas em Pequenos Grupos, pois o grupo formado para o inicio da nova congregação não é um “Pequeno Grupo”.
- Essa igreja será ainda convencional, mas terá resultados melhores dos que os obtidos através de uma conferência pública que usa o trabalho apenas de obreiros bíblicos sem utilizar o membros envolvidos no evangelismo integrado.
Big abraço a todos
“Crescei e multiplicai” (Gn 1:28)
Pr. Walmir Rosa
Coordenador de Pequenos Grupos da ASM – UCoB










